Copam adia votação sobre exploração de terras raras em Poços de Caldas após pressão de ambientalistas e políticos
Atualizado em 25/10/2025

O Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam) adiou, nesta sexta-feira (24), a análise dos licenciamentos ambientais para a exploração de terras raras no Planalto de Poços de Caldas, em Minas Gerais. A decisão foi tomada após um pedido de vista conjunta de conselheiros que representam a Associação Ambiental Zeladoria do Planeta, o Centro Industrial e Empresarial de Minas Gerais (CIEMG), o Sindextra (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Extrativas de Itaúna e Itatiaiuçu) e a Escola Superior Dom Helder Câmara.
Os projetos afetados são o “Colossus”, da mineradora Viridis, localizado em Poços de Caldas, e o “Caldeira”, da Meteoric, em Caldas. A análise foi retirada da pauta da reunião, e todos os demais pedidos de licença ambiental também foram adiados. O Copam deve retomar a votação na próxima reunião, marcada para o dia 28 de novembro.
Segundo Gustavo Bleme, da Associação Ambiental Zeladoria do Planeta, o pedido de vista foi necessário para permitir uma análise mais detalhada dos processos e atender aos questionamentos da sociedade civil.
Pressão de ambientalistas e autoridades
Antes da reunião, o Copam foi alvo de intensa pressão de organizações ambientais e de representantes políticos para adiar a votação.
A Câmara Municipal de Poços de Caldas aprovou, na última terça-feira (21), duas moções de apelo solicitando à Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) e ao próprio Copam que suspendessem a apreciação dos projetos. Os vereadores argumentaram que os empreendimentos envolvem tecnologias novas, com potenciais impactos ainda pouco conhecidos, e que as áreas previstas para exploração ficam próximas à zona urbana.
“Não somos contra o desenvolvimento, mas acreditamos que o progresso não pode atropelar a segurança das pessoas nem comprometer nossos recursos naturais. Pedimos que os órgãos ambientais retirem de pauta esses processos até que tudo seja devidamente esclarecido”, afirmou o vereador Tiago Braz, durante a sessão.
A deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT) também encaminhou um ofício aos conselheiros da Câmara de Atividades Minerárias (CMI) do Copam, pedindo a retirada de pauta dos licenciamentos. A parlamentar alegou que os Estudos de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) dos projetos apresentavam irregularidades e questionou a legitimidade do conselho, que atualmente é alvo de investigações da Operação Rejeito, da Polícia Federal, por suposto favorecimento a mineradoras em processos de licenciamento.
O que dizem as mineradoras
Em nota, a Viridis afirmou que o licenciamento do Projeto Colossus está sendo conduzido com “total transparência e rigor técnico”, respeitando todas as etapas legais e as exigências dos órgãos competentes. A empresa disse ainda que os estudos ambientais foram amplos, submetidos a vistorias técnicas e audiências públicas, e receberam parecer favorável da Feam.
Já a Meteoric informou que o licenciamento prévio do Projeto Caldeira foi formalizado em maio de 2024, após quase um ano de estudos técnicos e ambientais. A empresa destacou que o empreendimento obteve anuência do Conselho Gestor da APA da Pedra Branca (Congepa) e que está localizado fora dos limites da área de proteção ambiental.
A mineradora também afirmou que o projeto foi incluído na Plataforma Brasil de Investimentos Climáticos e Transformação Ecológica (BIP), teve dispensa de licenciamento radiológico pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e prevê o reaproveitamento total de efluentes e recuperação progressiva das áreas mineradas.
Planalto de Poços de Caldas abriga uma das maiores reservas de terras raras do mundo
O Planalto de Poços de Caldas é considerado uma das maiores e mais ricas reservas de terras raras do planeta. Segundo o Ministério de Minas e Energia (MME), o Brasil possui cerca de 21 milhões de toneladas desses minerais — o equivalente a 23% das reservas mundiais.
O depósito formado sobre a antiga cratera vulcânica da região chama a atenção pela alta concentração dos elementos e pela facilidade de extração. Estimativas indicam que o potencial do planalto poderia suprir até 20% da demanda global.
Nos últimos anos, empresas brasileiras e estrangeiras intensificaram a corrida pela exploração desses recursos. De acordo com a Agência Nacional de Mineração (ANM), até o início de 2025 foram concedidas 1.882 autorizações de pesquisa no país — sendo 361 em Minas Gerais, um terço delas concentradas na região de Poços de Caldas.
Veja as notas das mineradoras na íntegra
Viridis
“Ciente de discussões e manifestações recentes, a Viridis reafirma que o licenciamento ambiental do Projeto Colossus vem sendo conduzido com total transparência e rigor técnico, respeitando todas as etapas legais e o papel fiscalizador dos órgãos competentes.
Os estudos que fundamentam o requerimento de Licença Prévia são amplos e detalhados, foram disponibilizados ao público, submetidos a vistorias técnicas e audiências públicas, e complementados conforme as solicitações do órgão ambiental estadual.
Como resultado desse processo, a Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) emitiu parecer técnico e jurídico favorável ao deferimento da licença, que agora será analisado pelo Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam).”
Meteoric
“A Meteoric informa que o licenciamento prévio (LP) do Projeto Caldeira foi formalizado na Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) em maio de 2024, após quase um ano de estudos técnicos e ambientais elaborados conforme a legislação vigente.
O empreendimento obteve anuência do Congepa (Conselho Gestor da APA da Pedra Branca), que permitiu a instalação e operação do Projeto Caldeira na zona de amortecimento, fora dos limites da APA da Pedra Branca, e a certidão de conformidade municipal.
O projeto foi incluído na Plataforma Brasil de Investimentos Climáticos e Transformação Ecológica (BIP) e teve dispensa de licenciamento radiológico pela CNEN, com resultados de radioatividade dentro dos limites aceitáveis.
O Projeto Caldeira prevê recuperação progressiva das áreas mineradas, com o reaproveitamento da argila lavada no preenchimento das cavas, caracterizada como resíduo não perigoso. Os efluentes serão totalmente tratados e reutilizados, sem lançamentos em cursos d’água, e os estudos hidrológicos confirmam ausência de impactos nas águas termais de Pocinhos e Poços de Caldas.
É importante ressaltar que o Projeto Caldeira não está inserido em propriedade da Indústrias Nucleares do Brasil (INB), assim como não haverá tráfego de veículos para acesso ao projeto através da propriedade da INB.”
Assista a reunião na íntegra:
Fonte: Com informações de G1.
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