Bola Passoni abre 2026 no Programa Amigo Promotor e fala de negócios, falta de mão de obra, China, mercado imobiliário e ações do Rotary em Poços
Atualizado em 12/01/2026

O primeiro Programa Amigo Promotor de 2026, exibido na última quinta-feira (8), recebeu um convidado com atuação em diferentes áreas: Luiz Fernando Brochado Passoni, conhecido como Bola. Apresentado pelo promotor de Justiça Dr. Glaucir Antunes Modesto e com participação do jornalista Felipe Popó, o programa foi transmitido ao vivo pela Rádio Estúdio FM 87.9 e pela Sulminas TV, e reuniu temas que foram de empreendedorismo e logística a voluntariado, mercado imobiliário e experiências internacionais.
“Ketchups do Bola”: 70% tomate, sem corante e com linha de sabores
No bloco empresarial, Bola explicou como surgiu a marca ligada à Dubola Alimentos. Ele contou que passou a ler rótulos e percebeu que, nos produtos industriais, “o que eles menos tinham (…) era tomate”, o que o levou a produzir um ketchup com foco no ingrediente principal.
Além do ketchup tradicional, citou sabores e expansão da linha: goiaba (apontado no programa como um dos mais queridos), versões pimentadas, além de molho de tomate, maionese, barbecue e mostarda.
Sobre validade, esclareceu que os produtos têm um ano, e contou que usa conservante “bem abaixo dos parâmetros” permitidos por uma razão prática: segurança alimentar. Ele relatou que, no início, sem conservante, chegou a ter embalagem que “estufou” e até um caso em que o pote abriu e “voou” no rosto de uma pessoa.
Por que a fábrica foi para fora de Poços: parceria, estrutura e escala
Questionado por Popó sobre o fato de produzir fora de Poços de Caldas, Bola respondeu que a mudança foi comercial e estratégica. Ele citou que a operação passou por Águas da Prata (SP) e foi para Areal (RJ), ligada a uma parceria com a empresa Sequóia Alimentos, que tinha estrutura maior para volume e expansão.
Ele afirmou que não chegou a tentar abrir a indústria em Poços, dizendo que já conhecia as dificuldades do ambiente local por conversas e conexões, mas destacou que a parceria o fez “ganhar uns 10 anos de mercado”, pois a empresa já possuía estrutura de distribuição no Brasil inteiro — algo que, segundo ele, seria começar “do zero” se estivesse sozinho.
Bola também disse que pretende ter uma filial em Poços de Caldas no futuro, associando isso a estar “mais preparado” para ter sucesso e gerar emprego.
Logística travando produção e retorno dos produtos “depois do carnaval”
Ainda sobre a indústria, ele citou dificuldades de logística no fim do ano. Como exemplo, disse que comprou vinagre no fim de novembro para iniciar o ano trabalhando, mas que até o momento do programa ainda não havia previsão de entrega. Questionado sobre reposição nas prateleiras, a expectativa mencionada foi: “depois do carnaval”.
Falta de mão de obra: “maior desafio” e busca por automação
Um trecho forte do programa foi a avaliação sobre mão de obra. Bola disse que a dificuldade é generalizada e, na empresa dele, o tema virou o principal gargalo: “o maior desafio que a gente tem lá hoje é a mão de obra”.
Ele afirmou que há pessoas que:
- não querem trabalhar “dependendo do serviço”;
- em alguns casos não querem ser registradas;
- preferem “ganhar R$ 100 a mais em outro lugar”, mesmo quando há benefícios como plano de saúde.
Diante disso, disse que a saída tem sido buscar automação “de tudo quanto é jeito”, porque sem isso “não vai conseguir trabalhar”.
China: país “seguro, tecnológico” e referência para soluções e automação
Bola também relatou viagens à China, descrevendo o país como “seguro” e “tecnológico”, com capacidade produtiva alta e “solução para tudo”. Ele disse que já identificou alternativas para a própria empresa e também para amigos de outros ramos, e que pretende voltar ao país mais vezes.
O tema apareceu conectado à falta de mão de obra: segundo ele, a automação vira necessidade e, lá, os fornecedores “vestem a camisa” quando o empresário busca solução. Ele também falou de custos: disse que a viagem não precisa ser cara, apesar de a passagem ser mais pesada por causa do tempo de deslocamento. Citou como exemplo um hotel cinco estrelas com diária por volta de R$ 380 com café da manhã. Por outro lado, mencionou Hong Kong como mais caro e citou ter pago R$ 300 em uma pizza.
Em outra parte, ao falar do trabalho e renda no país, Bola afirmou que não viu falta de liberdade para o visitante e comentou uma referência de renda per capita (como citado por ele no programa) e rotina de trabalho de segunda a sexta até o fim da tarde, admitindo que pode haver escalas diferentes em setores específicos.
Corretagem: crítica a “quem não tem Creci” e alerta sobre concorrência desleal
No bloco imobiliário, Bola falou como corretor da Imobiliária Verdão, citada no programa como uma empresa familiar que completa 50 anos no próximo ano. Ele disse que há corretoras sérias em Poços e citou, como exemplo de boa prática, que empresas estruturadas trabalham com profissionais credenciados.
Mas fez uma crítica direta ao exercício informal: “tem muita gente que atrapalha, não tem Creci”. Segundo ele, parte desses atuantes não entende o que envolve uma corretagem: documentação, acompanhamento de obra, pós-obra e resolução de pendências — em alguns casos, o cliente “fica” com o corretor por anos.
Ele apontou ainda um problema de comissão: enquanto existe padrão de mercado, há pessoas cobrando muito abaixo (“tem uns que cobra um”, “meio”, “por um cafezinho”), o que, na visão dele, desorganiza o setor e cria risco ao consumidor: “quer receber e some”.
Dr. Glaucir conectou o tema à atribuição do Ministério Público de coibir exercício irregular de profissão, citando que isso aparece também em outras áreas.
Mercado aquecido e cidade “inflacionada”: Poços atrai moradores e exige planejamento
Ao falar de preços e dinâmica urbana, Bola avaliou que Poços é uma cidade que “encanta” e atrai pessoas de fora — citando moradores que buscam sair da violência de grandes centros. Reconheceu que a cidade é “um pouco inflacionada” em termos de aluguel e preço.
Sobre verticalização, afirmou não ser contra, disse que há ocupação e que a cidade ainda consegue acolher novos moradores e trabalhadores. Mas fez uma cobrança: na visão dele, o Plano Diretor precisa ser revisto — e Popó chegou a dizer que deveria ser “refeito”. Dr. Glaucir também criticou falta de planejamento no passado e defendeu visão para 20 ou 30 anos.
Rotary: “organização centenária” e eventos que financiam ações sociais
No fim do programa, Bola explicou o que é o Rotary, descrevendo como uma organização centenária de serviços humanitários e voluntários, presente no mundo inteiro. Ele disse que o clube tenta preencher lacunas que o Estado não consegue e citou a campanha contra a poliomielite como exemplo de atuação.
Bola explicou que instituições e pessoas podem procurar o Rotary e que o clube avalia como ajudar: com voluntariado, eventos ou apoio direto. Ele também destacou a participação feminina por meio das Rotetes, descritas no programa como ativas nos trabalhos.
Na parte mais concreta, ele listou ações e fontes de arrecadação:
- Feijoada beneficente em parceria com a Associação dos Ciclistas de Poços de Caldas; segundo ele, o dinheiro ajuda a bancar a festa do Dia das Crianças, realizada na primeira semana de outubro;
- uma semana de pizza para auxiliar o trabalho do Cohab City, citado no programa como iniciativa do Luiz Carlos;
- campanha do panetone no fim do ano para arrecadar fundos para entidades.
Para 2026, disse que está planejando o semestre, com nova feijoada e o lançamento de um livro de um companheiro do clube.
Assista ao programa na íntegra
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