Amigo Promotor: casal Pastora Mel e Pastor Paulo debate crise na gestão, “fake” do Turismo e o papel da única vereadora mulher na Câmara
Atualizado em 27/10/2025
O programa Amigo Promotor, exibido na última quinta-feira, recebeu a vereadora Pastora Mel — única mulher da atual legislatura — e o ex-vereador Pastor Paulo, seu marido.
O programa, apresentado por Dr. Glaucir e Felipe Popó, foi transmitido pela Rádio Estúdio FM e pela Sulminas TV, com reprise na TV Poços, e registrou recorde de participações do público.
“A cidade vive em crise desde o primeiro dia”
Logo no início, Pastor Paulo fez um diagnóstico duro dos dez primeiros meses da atual administração, afirmando que “a cidade vive em crise desde o primeiro dia”.
Ele criticou o número de cargos comissionados e cobrou austeridade:
“Se eu devo mais de R$ 650 milhões, eu tenho que fechar a torneira. Às vezes, na casa da gente, a gente tem que vender um carro para pagar uma dívida. A prefeitura também precisa apertar o cinto.”
Para ele, o primeiro ano deveria ser um período de contenção e planejamento, e não de propaganda.
“A administração é fria. É matemática. É diferente da espiritual.” — concluiu.
“Dez meses sem rumo”
A vereadora Pastora Mel reforçou que não atua como oposição ideológica, mas como fiscal do povo.
Ela questionou o projeto “Poços é + Gestão”, lançado recentemente pela Prefeitura, afirmando que faltam prazos e metas claras.
“Sem prazo e sem como será feito, não dá para apoiar. Com dez meses de governo, não é mais projeto, é programa.”
A vereadora também mencionou problemas recentes em obras públicas, citando “cozinhas sem pia e banheiros sem porta”, o que, segundo ela, demonstra falta de fiscalização e planejamento.
“Herança” e falta de identidade administrativa
Tanto Mel quanto Paulo afirmaram que o prefeito carrega a herança da gestão anterior e ainda não encontrou uma identidade própria.
“Agora ele é o prefeito, não o amigo, não o filho político de ninguém”, disse o pastor.
Ele também alertou que o governo precisa falar com transparência sobre a real situação financeira do município e construir uma nova postura:
“O prefeito teve o bônus da vitória, mas agora tem o ônus da responsabilidade fiscal.”
“O inferno está cheio de boas intenções”
Um dos momentos mais fortes e emocionantes do programa ocorreu quando Pastor Paulo comentou o caso do ex-secretário de Turismo, Arison Siqueira, que confessou ser o autor de um perfil falso utilizado para atacar adversários.
Visivelmente comovido, ele afirmou:
“Existe o cargo, mas atrás do cargo existe um homem. E o inferno está cheio de boas intenções.”
O pastor relatou o impacto das ofensas em sua própria família:
“Um menino de 15 anos chegou na mãe e perguntou o que era aquilo. E os pais tiveram que explicar que não era verdade. Isso dói.”
Afirmando que o caso abalou muitas pessoas, ele defendeu perdão pessoal, mas também responsabilização judicial:
“Não dá para destruir a reputação das pessoas e achar que está tudo bem. O estrago foi muito grande.”
Arrependimento ou remorso?
Pastora Mel fez uma diferenciação teórica entre arrependimento e remorso, dizendo que o ex-secretário só demonstrou arrependimento após ser descoberto.
“O arrependimento é quando você reconhece o erro antes da consequência. O remorso vem depois que a casa cai.”
A vereadora revelou que o perfil foi derrubado e recriado várias vezes e afirmou que o prefeito não a procurou nem por solidariedade após os ataques:
“Até agora, nada. Enquanto mulher, nem uma ligação.”
Violência política de gênero e recado às mulheres
Mel também revelou ter sofrido violência de gênero e religiosa desde a campanha, mas afirmou que segue firme:
“Mulher na política trabalha duas vezes mais e ainda precisa provar que merece estar lá. Eu vim para não me calar.”
Ela defendeu que a internet “não é terra sem lei” e disse esperar que seu exemplo encoraje outras mulheres a entrar na política:
“As mulheres não precisam ter medo de assumir cadeiras, seja no Legislativo ou no Executivo.”
Representatividade que “fura a bolha”
Pastor Paulo destacou que a Igreja do Evangelho Quadrangular sempre teve representação na política, mas que a esposa foi além, tornando-se a primeira pastora mulher vereadora da história de Poços.
“Ela furou a bolha da religiosidade. Passou a ser admirada por pessoas de outros credos e ideologias, porque atua pelo bem comum.”
Fiscalizar para quem paga a conta
Encerrando o programa, Pastora Mel reafirmou seu compromisso com o povo:
“Eu não trabalho para o Executivo. Eu trabalho para a população. Quando o Executivo fizer algo bom, serei a primeira a apoiar.”
O programa terminou em tom de gratidão e reconhecimento mútuo, mas com um recado claro:
transparência, metas e responsabilidade fiscal precisam deixar de ser promessas e se transformar em prática — sob o olhar atento da Câmara e da sociedade.
Assista na íntegra:
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